Este é um estudo feito por alunos da PUC-Paraná
do Curso de Ciências Eqüinas, que visa
avaliar o efeito físico causado no animal quando
usado a marcação a frio.
Introdução
A origem da marcação em animais domésticos
data de 2700 A.C. As pinturas em túmulos egípcios,
documentam bois sendo marcados com o hieróglifos.
Os gregos antigos e os Romanos marcavam animais domésticos
e escravos com um ferro quente. Hernando Cortez introduziu
a marca de Espanha no mundo novo em 1541. Trouxe o
gado identificado com sua marca de três cruzes.
Atualmente existe vários métodos de
identificação de animais domésticos,
sendo à quente, microchip, tatuagem, marcação
química, soda caustica, tipagem sanguínea
e exame de DNA.
O método que mais tem sido aceito nos últimos
tempo é a marcação a frio.
Sendo assim, o presente artigo objetiva avaliar a
utilização da marcação
a frio em eqüinos, através de parâmetros
clínicos, hematológicos e comportamentais,
para identificar o grau de sofrimento dos animais
testados, frente a esta técnica de identificação.
Metodologia
A amostra populacional consistiu de doze eqüinos
hígidos, todos machos, sem raça definida,
com idades variando de nove a dezesseis anos, utilizados
regularmente para atividades de policiamento hipomóvel.

Os animais escolhidos aleatoriamente dentro do plantel
da Polícia Militar do Paraná, estacionado
no Regimento de Polícia Montada “Coronel
Dulcídio”, tiveram seus parâmetros
clínicos medidos pela manhã em jejum,
antes da marcação, vinte e quatro horas
depois e todos os dias pela manhã durante sete
dias.
Foi observado paralelo a estes procedimentos o comportamento
dos mesmos, nos quesitos irritabilidade, alimentação,
comportamento em relação a outros animais
e ao ser humano e outras alterações
relacionadas a sua rotina, todos sem alteração
de suas rotinas comportamentais.
Protocolo experimental. Amostras de sangue venoso
foram coletadas por venupunção da jugular
em tubos contendo EDTA trissódico, armazenadas
sob refrigeração e analisadas imediatamente
após a coleta. Hematócrito foi determinado
pelo método de microhematócrito, proteína
plasmática por refratometria, fibrinogênio
pelo método de Millan, total de leucócitos
por contagem em câmara de Neubauer e diluição
com pipeta de Thoma e contagem diferencial de leucócitos
por hematoscopia de extensão corada pelo método
de Romanowsky rápido com contagem de cem células.
Períodos de coleta. A primeira amostra foi
coletada com os animais em repouso, na cocheira, antes
da marcação e a segunda amostra vinte
e quatro horas depois e terceira amostra sete dias
depois da marcação.
Resultados
O
comparativo entre os resultados das amostras coletadas
antes, 24 horas após a marcação
e sete dias depois da marcação à
frio, mostrou um aumento dos valores de fribinogênio,
em 25% dos animais testados, em 100% dos eqüinos
houve uma queda da taxa de Leucócitos, sendo
que as taxas retornaram aos valores normais sete dias
depois da marcação à frio..
Nos parâmetros fisiológicos foi observado
que em 91,6 % dos animais a temperatura corpórea
não alterou, apesar do edema, que normalmente
fica no local, que em 100% dos eqüinos as mucosas
orais e oculares, permaneceram normais, quadro semelhante
também constatado para os quesitos freqüência
cardíaca, caráter de pulso e freqüência
respiratória.
No aspecto comportamental em nenhum animal foi notado
alguma alteração, somente que por quatro
dias, em média, todos os animais apresentaram
dor local da marcação e no restante
de todos os outros cento e vinte e um animais, que
posteriomente foram identificados por este método,
somente uma égua foi medicada tendo em vista
a elevação da temperatura corpórea
para 40ºC.
Marca típica após 3 meses.
O presente estudo comprova os comentários encontrados
no site www.lhbrandingirons.com.
, no INFO SHEET de maio de 1999, no artigo publicado
pela Oklahoma State University nº 3250 e pelo
artigo do Dr. David W. Freeman,2001, publicado na
OSU EXTENSION FACTS nº f-3986, que enaltece as
qualidades da marcação à frio
sob a marcação à quente, tendo
em vista a possibilidade do eqüino retornar as
suas atividades em um período de tempo menor,
além de ser um método que infringe menos
desconforto ao animal, custo zero, quando se refere
aos gastos relativos a medicamentos que eram utilizados
na marcação à quente, como cicatrizantes,
antinflamatórios, custos com mão-de-obra,
aliado a estes aspectos temos também a vantagem
de podermos utilizar tal método durante o ano
todo, sem a preocupação da ocorrência
de miíases. Além da qualidade superior
da marca deixada e a perpetuidade da mesma. Os resultados
indicam que a marcação a frio é
um método menos agressivo de identificação,
além de ser extremamente prático quando
comparados a outros métodos tais como a tatuagem,
que tem a sua identificação dificultada
por ser feita por dentro do lábio superior,
o micro-chip que apesar de ter as suas vantagens,
temos o risco da migração do chip de
identifcação do local a qual fora implantado,
além de não ser prático para
a identificação visual de grandes planteis
e por fim a marcação à quente,
que inutiliza o animal por mais de oito dias além
dos custos com cuidados clínicos pós-marcação.
Agradecimento:
ao Regimento de Cavalaria Coronel Dulcídio
da Polícia Militar do Paraná, ao Centro
Veterinário da PMPR , a Unidade Hospitalar
para Eqüinos da PUCPR (UHE), ao Laboratório
de Patologia Clínica da UHE e a Unidade Hospitalar
de Animais de Companhia.