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Sexta-feira, 10 de setembro de 2010
>> Manejo > Marcação a frio

Este é um estudo feito por alunos da PUC-Paraná do Curso de Ciências Eqüinas, que visa avaliar o efeito físico causado no animal quando usado a marcação a frio.

Introdução
A origem da marcação em animais domésticos data de 2700 A.C. As pinturas em túmulos egípcios, documentam bois sendo marcados com o hieróglifos. Os gregos antigos e os Romanos marcavam animais domésticos e escravos com um ferro quente. Hernando Cortez introduziu a marca de Espanha no mundo novo em 1541. Trouxe o gado identificado com sua marca de três cruzes.
Atualmente existe vários métodos de identificação de animais domésticos, sendo à quente, microchip, tatuagem, marcação química, soda caustica, tipagem sanguínea e exame de DNA.

O método que mais tem sido aceito nos últimos tempo é a marcação a frio.
Sendo assim, o presente artigo objetiva avaliar a utilização da marcação a frio em eqüinos, através de parâmetros clínicos, hematológicos e comportamentais, para identificar o grau de sofrimento dos animais testados, frente a esta técnica de identificação.

Metodologia
A amostra populacional consistiu de doze eqüinos hígidos, todos machos, sem raça definida, com idades variando de nove a dezesseis anos, utilizados regularmente para atividades de policiamento hipomóvel.
Os animais escolhidos aleatoriamente dentro do plantel da Polícia Militar do Paraná, estacionado no Regimento de Polícia Montada “Coronel Dulcídio”, tiveram seus parâmetros clínicos medidos pela manhã em jejum, antes da marcação, vinte e quatro horas depois e todos os dias pela manhã durante sete dias.
Foi observado paralelo a estes procedimentos o comportamento dos mesmos, nos quesitos irritabilidade, alimentação, comportamento em relação a outros animais e ao ser humano e outras alterações relacionadas a sua rotina, todos sem alteração de suas rotinas comportamentais.
Protocolo experimental. Amostras de sangue venoso foram coletadas por venupunção da jugular em tubos contendo EDTA trissódico, armazenadas sob refrigeração e analisadas imediatamente após a coleta. Hematócrito foi determinado pelo método de microhematócrito, proteína plasmática por refratometria, fibrinogênio pelo método de Millan, total de leucócitos por contagem em câmara de Neubauer e diluição com pipeta de Thoma e contagem diferencial de leucócitos por hematoscopia de extensão corada pelo método de Romanowsky rápido com contagem de cem células.
Períodos de coleta. A primeira amostra foi coletada com os animais em repouso, na cocheira, antes da marcação e a segunda amostra vinte e quatro horas depois e terceira amostra sete dias depois da marcação.

Resultados
O comparativo entre os resultados das amostras coletadas antes, 24 horas após a marcação e sete dias depois da marcação à frio, mostrou um aumento dos valores de fribinogênio, em 25% dos animais testados, em 100% dos eqüinos houve uma queda da taxa de Leucócitos, sendo que as taxas retornaram aos valores normais sete dias depois da marcação à frio..
Nos parâmetros fisiológicos foi observado que em 91,6 % dos animais a temperatura corpórea não alterou, apesar do edema, que normalmente fica no local, que em 100% dos eqüinos as mucosas orais e oculares, permaneceram normais, quadro semelhante também constatado para os quesitos freqüência cardíaca, caráter de pulso e freqüência respiratória.
No aspecto comportamental em nenhum animal foi notado alguma alteração, somente que por quatro dias, em média, todos os animais apresentaram dor local da marcação e no restante de todos os outros cento e vinte e um animais, que posteriomente foram identificados por este método, somente uma égua foi medicada tendo em vista a elevação da temperatura corpórea para 40ºC.


Marca típica após 3 meses.

O presente estudo comprova os comentários encontrados no site www.lhbrandingirons.com. , no INFO SHEET de maio de 1999, no artigo publicado pela Oklahoma State University nº 3250 e pelo artigo do Dr. David W. Freeman,2001, publicado na OSU EXTENSION FACTS nº f-3986, que enaltece as qualidades da marcação à frio sob a marcação à quente, tendo em vista a possibilidade do eqüino retornar as suas atividades em um período de tempo menor, além de ser um método que infringe menos desconforto ao animal, custo zero, quando se refere aos gastos relativos a medicamentos que eram utilizados na marcação à quente, como cicatrizantes, antinflamatórios, custos com mão-de-obra, aliado a estes aspectos temos também a vantagem de podermos utilizar tal método durante o ano todo, sem a preocupação da ocorrência de miíases. Além da qualidade superior da marca deixada e a perpetuidade da mesma. Os resultados indicam que a marcação a frio é um método menos agressivo de identificação, além de ser extremamente prático quando comparados a outros métodos tais como a tatuagem, que tem a sua identificação dificultada por ser feita por dentro do lábio superior, o micro-chip que apesar de ter as suas vantagens, temos o risco da migração do chip de identifcação do local a qual fora implantado, além de não ser prático para a identificação visual de grandes planteis e por fim a marcação à quente, que inutiliza o animal por mais de oito dias além dos custos com cuidados clínicos pós-marcação.

Agradecimento: ao Regimento de Cavalaria Coronel Dulcídio da Polícia Militar do Paraná, ao Centro Veterinário da PMPR , a Unidade Hospitalar para Eqüinos da PUCPR (UHE), ao Laboratório de Patologia Clínica da UHE e a Unidade Hospitalar de Animais de Companhia.

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